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quinta-feira, setembro 20, 2007

CINEMA NOVO

O Cinema Novo de Glauber Rocha, Ruy Guerra, Cacá Diegues, Paulo Cesar Saraceni, Walter Lima Jr. e Nelson Pereira dos Santos se tornaria o movimento estético e intelectual mais denso e produtivo de nossa história.
O regime militar atingia seu poder máximo e asfixiava os setores culturais do país.
Os cineastas do cinema novo propunham uma estética da fome.

“O cinema novo não é uma questão de idade; é uma questão de verdade.”
Paulo Cezar Saraceni



Glauber Rocha foi o maior defensor e realizador dos principais filmes “Cinema Novo”, como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e Barravento (1962), propunha filmar apenas com uma câmara na mão e uma idéia na cabeça, em uma já célebre frase que até hoje causa controvérsias.

Clique aqui (site oficial do Glauber Rocha)

Clique aqui (Trecho de Deus e o Diabo na terra do sol, de Glauber Rocha)


Todo o ideário do Cinema Novo era baseado na discussão do nacional, na controvérsia e na negação da versão oficial.

Muitos se prendem a este cinema revolucionário e utópico, que queria mudar o mundo, mas acabou eclipsado pela violência militar e econômica que não permitiu a formação de autênticos autores. Muitos desconhecem os filmes, as idéias e principalmente os feitos alcançados por nossos maiores pensadores do cinema.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Utilidade


Queridos

Algumas coisas que foram vistas esses dias... podem ajudar!


Um breve histórico da música brasileira:


Cinema Novo:


Cia. Cinematográfica Vera Cruz:


Prometo que até domingo eu coloco aqui alguns textos corridos sobre os anos 60 pra facilitar a vida de todos!


PS.: A imagem acima ("seja marginal, seja herói") é do Hélio Oiticica.
Calma... não tô falando que vocês devem ser "marginais"... isso, na verdade, é uma discussão que ele propõe. Primeiro, o que é ser marginal? (Não é ser vandalo, bagunceiro) Ser marginal é estar a margem, é estar excluído... É estar na margem e não no meio. E, viver assim não é fácil. Tem que ser muito herói pra vencer os obstáculos.
Beijocas pra todos!

sexta-feira, novembro 04, 2011

Cronologia: arte brasileira do século XX

1917 - Exposição "bombástica" de Anita Malfatti. (A que foi criticada por Monteiro Lobato no texto "Paranoia ou Mistificação").


--> Nesse mesmo ano aconteceu o primeiro registro fonográfico de um samba! Foi a música "pelo telefone", de Donga e Mário de Almeida.


1922 - Comemoração do centenário da independência do Brasil.
Aconteceu a Semana de Arte Moderna (em fevereiro, no teatro municipal de São Paulo).
Oswald de Andrade publicou "Os condenados" e Mario de Andrade "Paulicéia Desvairada".


1923 - Lasar Segall volta ao Brasil (com intenção de ficar por aqui).

Nesse mesmo ano foi fundada a primeira rádio brasileira: a RÁDIO SOCIEDADE DO RIO DE JANEIRO.

1924 - Primeira exposição "modernista" de Lasar Segall (em 1913 ele veio ao Brasil e fez uma exposição de arte expressionista - mas ele ainda não estava ligado ao movimento modernista brasileiro).

1926 - Primeira exposição individual do escultor Victor Brecheret.


Nesse mesmo ano Marinetti (o criador do futurismo italiano) veio ao Brasil. Ele era amigo de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.


1927 - Mario de Andrade fez uma longa viagem pela Amazônia para fazer registros antropológicos.


1928 - Tarsila do Amaral pintou "O Abaporu". Oswald de Andrade, inspirado nessa obra, publicou o "Manifesto Antropofágico".
A antropofagia na arte é a ideia de devorar a cultura do outro para criar a sua. Misturar elementos de culturas diferentes (inclusive de regiões brasileiras que não faço parte) com a minha realidade.




Nesse mesmo ano Mário de Andrade publica "Macunaíma".


Entre 1928 e 1929 Mário de Andrade viajou pelo nordeste brasileiro para recolher músicas, danças e o folclore da região.


Portinari (que ainda era acadêmico) foi para a Europa estudar arte acadêmica.


1930 - Golpe de Estado - Getúlio Vargas na presidência.
Carmem Miranda lançou seu primeiro sucesso: "Tá aí!"
http://youtu.be/V6v7HFVjObk
Ela participa de algumas montagens musicais da cia. cinematográfica Cinédia (fundada nesse mesmo ano).


1931 - Primeira experiência performática na arte brasileira com Flavio de Carvalho.


Nesse mesmo ano Portinari voltou ao Brasil e começou sua série nacionalista.

Mario de Andrade e Oswald de Andrade brigam (e rompem relações).

1932 - Revolução Constitucionalista em São Paulo.

1935 - Surgimento do grupo Santa Helena.
Este foi um grupo de artistas mais pobres (a maioria auto-didata) de São Paulo. Participaram do grupo Alfredo Volpi e Francisco Rebolo.

Cândido Portinari foi premiado nos Estados Unidos pela obra "Café". A partir dai ele se tornou mundialmente conhecido.

1936 - Projeto do edifício do ministério da educação e da saúde pública (hoje MEC) no Rio de Janeiro, Este foi o primeiro projeto de grande porte de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.
Nesse prédio o paisagismo é de Burle Max, os murais são de Cândido Portinari e as esculturas de Bruno Giorgi e Celso Antonio.

1937 - Oswald de Andrade escreveu duas peças de teatro: "A morta" e "O Rei da Vela".

1938 - "Vidas Secas", de Graciliano Ramos.

1939 - Foi criado o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda): órgão do governo responsável por analisar tudo o que fosse escrito e publicado, ou seja, censura.

1940 - Exposição individual de Cândido Portinari no MOMA, em Nova York.

1941 - Criação da Atlântida - companhia cinematográfica que realizou as famosas "Chanchadas".

1942 - Lançamento do Conjunto da Pampulha, obra de Oscar Niemeyer encomendada por Juscelino Kubitschek.

No projeto da Pampulha o paisagismo é de Burle Max e os murais de Portinari.

1943 - Montagem de "Vestido de Noiva", com a companhia carioca "Os Comediantes", com direção do polonês Ziembinsky. Essa montagem é considerada o marco inicial do teatro moderno brasileiro.

1944 - Primeira exposição individual de Alfredo Volpi.

1945 -  Morte de Mário de Andrade (ele ainda estava brigado com Oswald de Andrade, que ficou muito comovido com a morte, sentindo-se arrependido).

1947 - Fundação do MASP, Museu de Arte de São Paulo.

1948 - Fundação do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Nesse ano também foi fundado o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), em São Paulo. Esta foi a primeira companhia teatral profissional do Brasil. Fizeram parte de seu elenco grandes atores brasileiros como Fernanda Montenegro, Cacilda Becker, Paulo Autran, Raul Cortez, Tônia Carrero, etc.

1949 - Fundação da Companhia Cinematográfica Vera Cruz (São Bernardo do Campo, SP).

1950 - Primeiro canal de TV do Brasil (São Paulo), a TV Tupi - foi criada pelo empresário e jornalista Assis Chatobrian.

São lançados os primeiros filmes da Vera Cruz.

1951 - Primeira exposição concretista em São Paulo (do artista Max Bill).

Aconteceu também a Primeira Bineal Internacional de Arte de São Paulo.

1952 - Criação do grupo Ruptura, de São Paulo.
Lembrando que os concretistas faziam obras de arte abstratas geométricas.

1953 - O filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto (produzido pela Vera Cruz) ganha o prêmio de melhor filme no Festival de Cannes (França). Com o sucesso no festival, o filme foi levado para mais de 80 países, foi vendido para a Columbia Pictures. Só na França, ficou 5 anos em cartaz!



1954 - Criação do grupo Frente, do Rio de Janeiro - que também era concretista.
Morte de Oswald de Andrade.
Inauguração do Parque do Ibirapuera.

1956 - Portinari conclui os painéis "Guerra" e "Paz", para a sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.

1958 - Início da Bossa Nova no Rio de Janeiro, mistura de samba com jazz e música erudita. Principais representantes: João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

1959 - Primeira exposição neoconcreta no MAM do Rio de Janeiro.
Manifesto Neoconcreto de Ferreira Gullar.

1960 - Inauguração de Brasília.

1964 - Golpe Militar.
Primeiro "Bicho" da Lygia Clark.

"Deus e o diabo na terra do sol", de Glauber Rocha (Cinema Novo).

1965 - Primeiro festival da Música Brasileira. O primeiro lugar ficou com a música "Arrastão", de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, interpretada por Elis Regina.

O programa "Jovem Guarda" começa a ser exibido na TV. O programa era comandado por Roberto carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.

Hélio Oiticica é expulso do MAM-RJ por levar um grupo de integrantes da Mangueira (escola de samba) vestidos com Parangolés.

1966 - Segundo festival da Música Brasileira. O primeiro lugar ficou com a música "A Banda", de Chico Buarque de Holanda, interpretado por ele mesmo e Nara Leão.

1967 - Terceiro festival da Música Brasileira, o festival da virada. Este foi o mais importante de todos os outros festivais. Foi nesse festival que apareceram os tropicalistas.

Lançamento do disco Tropicália.
Vídeo sobre o movimento tropicalista AQUI.
"Terra em Transe", de Glauber Rocha (Cinema Novo).

1968 - AI-5

quinta-feira, julho 02, 2009

JULHO, FRIO, FÉRIAS

Férias de julho.

O primeiro dia de férias: chuva e frio. Fiquei em casa em baixo do cobertor vendo filme e lendo Harry Potter!!! (O filme foi "Across the Universe" que já vi várias vezes mas gosto muito. Além disso, como mostrei pros alunos do segundo ano algumas cenas me deu vontade de ver inteiro outra vez). Sobre Harry Potter... eu adoro esse bruxinho, vocês sabem disso! hehehe! E como daqui uns dias estréia o novo filme nos cinemas, estou relendo o livro (como sempre faço). O mais curioso é que sempre me arrependo de ter lido antes porque sempre detesto o filme. Mas depois eu vou novamente ao cinema, compro o dvd e passo a amar o filme! hehehehe! Bom, pelo menos isso aconteceu com os anteriores. Ainda assim comecei a reler o "Half blood".

Outra coisa que me deixa feliz é que agora posso jogar Rock Band tranquila!!! Sem peso na consciência! hehehehehe!!!! Quem sabe até agosto me torno Expert!

Quero aproveitar esse post pra colocar o link de "I Want You" do filme "Across the Universe".



Se quiserem mais peguem no You Tube. Lá é possível encontrar todas as cenas!


Link com o post que coloquei os trabalhos dos alunos de 2008 sobre esse mesmo tema.
http://prosalunos.blogspot.com/2008/12/boas-frias.html

Depois eu escrevo mais!!

Boas férias!

sexta-feira, setembro 15, 2006

EXPRESSIONISMO

Particularmente, gosto muito do expressionismo, principalmente do teatro e do cinema expressionista.
De todos os movimentos ligados às vanguardas, o Expressionismo, sem dúvida, é aquele que mais polêmicas, discussões e pontos de vista antagônicos apresenta, fundamentalmente pela sua diversidade, digamos, estética-política e, também, pelo fato concreto de muitas de suas características e particularidades terem se conservado até os dias de hoje.


"Não temos mais liberdade, não sabemos mais nos decidir, o homem é privado da alma, a natureza é privada do homem...
Nunca houve época mais perturbada pelo desespero, pelo horror da morte.
Nunca silêncio mais sepulcral reinou sobre o mundo.
Nunca o homem foi menor.
Nunca esteve mais irrequieto.

Nunca a alegria esteve mais ausente, e a liberdade mais morta.

E eis que grita o desespero: o homem pede gritando a sua alma, um único grito de angústia se eleva do nosso tempo.
A arte também grita nas trevas, pede socorro, invoca o espírito: é o expressionismo."

(Hermann Bahr – 1916)

"Também o expressionismo deve ser considerado um movimento de reação; mmas neste caso ela se apresenta com uma característica nova e importantíssima, de conseqüências radicais. Porque o expressionismo não reage apenas contra este ou aquele movimento, contra o naturalismo, o neoclassicismo e o neo-romantismo. O elemento novo da experiência expressionista é que ela reage, sem mais, contra o todo do passado; é o primeiro movimento cultural que deve ser compreendido, antes de mais nada, por uma rebelião contra a totalidade dos padrões, dos valores do Ocidente. verifica-se, assim, no expressionismo, e pela primeira vez, um sentido de radicalidade absoluta, a vontade de um caminho que é precipuamente recusa".
(Gerd BORNHEIM, O sentido e a máscara)

Características da Pintura Expressionista

•Descartar tudo que for decorativo, retratar somente o essencial
• Revolta contra o figurativismo
• Pintura dramática e subjetiva
• Deformação a favor da emoção
• Expressão do patético, trágico e sombrio (Nitzche)
• As obras gritam “Não acreditem no ser humano”





OSLO - Dois ladrões armados roubaram um quadro de Edvard Munch, "The Scream" ("O Grito"), do Museu Munch, na Noruega.
Mascarados, os ladrões fugiram com a obra, além de uma outra pintura, "Madonna", em plena luz do dia, neste domingo (22/08/2004), e sob o olhar incrédulo dos visitantes.
Um dos ladrões ameaçou os funcionários do museu com uma arma antes de escaparem em um Audi.
(Texto Globo Online22/08/2004 - 08h38m)

Polícia norueguesa encontra quadro roubado "O Grito", de Munch
OSLO (Reuters) - A polícia norueguesa disse nesta quinta-feira ter encontrado duas obras do pintor Edvard Munch, dois anos depois de elas terem sido roubadas de um museu por homens armados.
Uma das telas é "O Grito". A outra, "Madonna", mostra uma mulher de seios nus com cabelos pretos e compridos.
(Texto Yahoo Notícias 31/08/2006 - 12h44m Por Marianne Fronsdal)

quinta-feira, setembro 20, 2007

Cinema no Brasil

A VERA CRUZ



A Cia. Cinematográfica Vera Cruz foi o mais importante estúdio cinematográfico brasileiro da década de 50. Foi fundada pelo produtor italiano Franco Zampari e pelo empresário Ciccillo Matarazzo em São Bernardo do Campo – SP, em 1949.
Durante os quatro anos em que ela sobreviveu, realizou cerca de 20 filmes de longa-metragem.

A primeira produção da Vera Cruz, CAIÇARA, de 1950, narra o drama de uma jovem que se casa com um homem autoritário em uma aldeia de pescadores. Prêmio de melhor filme brasileiro no Festival de Punta del Este, em 1951. Dirigido por Adolfo Celi. Com Eliane Lage e Mário Sérgio.


ANGELA (1950) conta a história de Gervásio, jogador inveterado e de pouca sorte, perde sua última propriedade, a mansão onde vive com a mãe, a enteada e a esposa doente. O vencedor do jogo, Dinarte, um homem de decisões súbitas e de grande sorte no jogo, insiste em ver a propriedade naquela mesma noite. Durante a visita Ângela, a enteada, comunica o falecimento da esposa. Dinarte acaba se envolvendo com Ângela, com quem se casa, depois de deixar sua amante Vanju, uma cantora popular. Os dois vivem momentos de felicidade numa viagem pitoresca às Missões e ao Rio de Janeiro. Com o nascimento da filha, Dinarte promete não jogar mais, contudo, entre bilhares, cavalos e brigas de galos termina perdendo tudo, assim como Gervásio, que continua decaindo cada vez mais. Enquanto isso a família se dissolve, restando a Ângela somente o seu bebê e algumas recordações.
Com Eliane Lage e Alberto Ruschel. Dir. de Abílio Pereira de Almeida e Tom Payne.


TERRA É SEMPRE TERRA, de 1951
Numa plantação de café abandonada, o capataz Tonico dirige tudo com mão de ferro. Casado com uma mulher muito mais jovem, admira-a apenas como um objeto.Seu único interesse é conseguir dinheiro, roubando nas colheitas . Na cidade, a dona da plantação decide mandar seu filho, jogador e mulherengo, cuidar da fazenda. Jogando, perde muito dinheiro, inclusive o dinheiro guardado para o pagamento de seus peões. Tonico se oferece para comprar-lhe a plantação e, assim, pagar-lhe as dívidas de jogo. Dir. De Tom Payne.


APASSIONATA, de 1952, conta a história de uma grande pianista que faz todos os sacrifícios pela sua arte, até que se vê acusada, pela governanta, da morte de seu marido. Uma vez comprovada sua inocência, retira-se para um lugar junto ao mar, onde conhece Pedro, o diretor de um reformatório de jovens delinqüentes, que por ela se apaixona, reconhecendo sua verdadeira identidade. Pedro tenta dissuadi-la de fazer uma turnê, mas ela prefere a carreira ao amor e volta a dar concertos. Com Tônia Carrero e Anselmo Duarte. Dir. de Fernando de Barros.


O drama psicológico-policial VENENO, de 1952, conta a história um homem que ama apaixonadamente sua esposa e desconfia que esse amor não é correspondido. Passa a confundir vida e sonho até que acaba envenenando sua esposa. Dirigido por Giannei Pons.

Produção da Vera Cruz envereda pelo gênero “popularesco” da comédia, SAI DA FRENTE, de 1952, mostra um dia atrapalhado na vida do dono de um caminhão bem velho. Ao fazer uma mudança de São Paulo para Santos, ele se envolve em inúmeras confusões com burocratas, policiais e motoristas de carro. Inesquecível interpretação de Mazzaropi. Dirigido por Abílio Pereira de Almeida.

TICO-TICO NO FUBÁ, de 1952, é de uma biografia do compositor popular Zequinha de Abreu. Ele compõe Tico-tico no Fubá para sua amada, mas o destino não os deixa ficar juntos. Depois de muito tempo a encontra, por acaso e, enquanto tocava a música que havia composto para, ela emociona-se e morre. Com Tônia Carrero e Alselmo Duarte. Direção de Adolfo Celi.


NADANDO EM DINHEIRO, 1952:
Isidoro descobre que é herdeiro único de uma grande fortuna. Muda-se para a mansão herdada e começa a viver como milionário. Num jantar de gala descobre que as pessoas presentes à festa caçoavam de seus modos de novo rico. Isidoro começa a ter uma vida dupla, que acaba provocando uma série de confusões. Quando sua esposa decide deixá-lo, ele lhe conta de sua nova situação financeira pedindo-lhe, em vão, que volte. Triste, ele volta à sua mansão, onde é atacado por robôs que comprara de um investidor. Contudo, quando os robôs atacam, Isidoro acorda em sua pequena casa ao lado de sua mulher e filha. Nadando em dinheiro, mas ....em sonho. Uma comédia com Mazzaropi. Dir. de Abílio Pereira de Almeida e Carlos Thiré.

SINHA MOÇA, 1952:
Na pequena cidade de Araruna, no fim do século passado, as contínuas fugas de escravos traziam os grandes senhores alarmados, em especial o coronel Ferreira. É nessa ocasião que sua filha Sinhá Moça regressa de São Paulo dominada pelos ideais abolicionistas. Em sua viagem de volta conhece Rodolfo Fontes, filho de um renomado médico de Araruna, abolicionista entusiasta. No primeiro instante os dois jovens sentem-se mutuamente atraídos, porém, logo ela descobre as tendências escravocratas de Rodolfo e trava-se em seu espírito a luta entre seu amor pelo jovem e suas convicções humanitárias. O responsável pela fuga de escravos é levado ao tribunal e, para surpresa de todos, o jovem Rodolfo, confesso escravocrata, serve-lhe de advogado de defesa. Com Eliane Lage e Anselmo Duarte. Direção de Tom Payne.


Em FAMÍLIA LERO LERO, de 1953, a Vera Cruz continua investindo na comédia popularesca. Trata-se da história de um funcionário público atormentado pelos inesgotáveis desejos de sua família, na qual ninguém trabalhava. Com Walter D’Ávila e Renato Consorte. Dirigido por Alberto Pieralisi.

Com o filme CANGACEIRO, de 1953, veio a primeira grande consagração mundial da companhia , com a premiação do diretor Lima Barreto no Festival de Cannes. Aborda o conflito entre dois cangaceiros para recuperar uma professora raptada. Essa mistura de faroeste nordestino com drama romântico, épico e histórico, tornou-se um clássico do cinema brasileiro, criando um gênero, o filme de cangaço.


UMA PULGA NA BALANÇA, 1953
Um ladrão se deixa prender voluntariamente. Uma vez instalado na prisão ele procura nos jornais, diariamente, os nomes mais ilustres falecidos e envia, às suas famílias, uma carta extremamente comprometedora onde fica explícito que o falecido era seu parceiro num grande golpe. Essa maneira engenhosa de chantagem deixa consternada a família do morto que se apressa em pagar-lhe para manter o seu silêncio. A estória se desenrola em um ambiente no qual a hipocrisia dos herdeiros contrasta com a vida alegre e feliz de Dorival em sua cela, onde recebe suntuosamente suas vítimas. Com Waldemar Wey e Paulo Autran.

A comédia dos erros ESQUINA DA ILUSÃO, de 1953, conta as confusões criadas por Dante Rossi, dono de uma pizzaria no Braz, homônimo de um poderoso industrial de São Paulo. Essa coincidência, arranjada pela boa sorte, permitiu-lhe mentir durante muitos anos, escrevendo cartas para seu irmão na Itália nas quais dizia que "tinha feito a América". Seu irmão, encantado com tantas maravilhas, resolve visitar o falso milionário. Mas Dante consegue dinheiro emprestado com outros emigrantes sem fortuna, mas solidários com a idéia de aparentar grande vida. O milionário verdadeiro, também envolvido na trama, começa a desconfiar de que está acontecendo qualquer coisa fora do comum até que se desencadeia a grande confusão final. Com Alberto Ruschel e Ilka Soares. Dir. de Ruggero Jacobbi .


LUZ APAGADA, 1953:
Olavo, desde o falecimento de sua mulher nunca mais foi à cidade. Só a filha Glória é vista na cidadezinha, conversando sempre com Tião, amigo de infância. Embora corressem as mais estranhas histórias sobre a ilha, Tião sente-se atraído pela figura selvagem de Glória. Um dia, o comandante da administração portuária comunica que está enviando um ajudante. Glória pede a Tião que se case imediatamente com ela para que seja nomeado ajudante de seu pai. Antes que Tião se decida, Daniel chega à ilha e disputa com Tião o amor de Glória. Ocorre uma tragédia cujos detalhes são escondidos pela noite escura, com a luz do farol apagada.


É PROIBIDO BEIJAR, de 1954, é uma comédia sofisticada, considerada bastante americanizada. Um reles cronista social de São Paulo vê-se envolvido com a filha de um rico milionário, que se disfarça de atriz hollywoodiana. Dirigido por Ugo Lombardi. Com Tônia Carrero e Mário Sérgio.


No drama policial NA SENDA DO CRIME, de 1954, quatro jovens assaltam uma casa grã-fina, levando o dinheiro e um colar. O chefe do bando, ao mesmo tempo que esconde o que foi roubado, começa a disputar com um milionário o amor de uma vedete. Com Cleyde Yáconis e Miro Cerni. Dirigido por Flaminio Bollini Cerri.

CANDINHO, 1954:
Como o Moisés bíblico, Candinho foi encontrado nas águas, só que nas águas sujas de um riacho. Ao seu lado estava um jumentinho, chamado Policarpo. Candinho e o jumento crescem juntos, mas, um dia Candinho, um pouco mais inteligente que Policarpo, convenceu-se de que a vida era muito dura: por qualquer coisa errada, era espancado pelo seu benfeitor, o proprietário da fazenda, e decide fugir para São Paulo. A grande Babel assusta os dois caipiras. Candinho conhece Filoca, uma taxi-girl por quem se apaixona. Qualquer semelhança, mesmo que vaga, com o Cândido de Voltaire é claramente intencional. Mais uma comédia com Mazzaropi.


FLORADAS NA SERRA, 1954 (última produção da Vera Cruz)
Lucília descobre que está com tuberculose. Mas não consegue suportar o tratamento na clínica em Campos do Jordão. Enquanto esperava para voltar a São Paulo, conhece Bruno, que a faz perder o trem e começam um romance. Porém a paixão de Lucília consome rapidamente sua saúde, enquanto Bruno vai se recuperando e começa a se interessar por Olívia, outra paciente da clínica. Com Cacilda Becker e Jardel Filho.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

O SIGNIFICADO DA QUEDA DO “MURO DE BERLIM”


Durante a II Guerra Mundial, os Aliados (Inglaterra, França, EUA e URSS) lutaram juntos contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Ainda no decorrer do conflito já eram perceptíveis as tensões entre os Aliados, sobretudo no choque do ponto de vista entre Churchill e Stálin. O primeiro, era um antiesquerdista convicto. Para ele, a URSS pretendia impor seu sistema de organização social e econômico aos demais países do mundo, o que não seria viável para os Aliados, com ideologias tão diferentes. Já Stálin estava preocupado não só com a ideologia, mas com o fato de não deixar as fronteiras da URSS desguarnecidas, sobretudo com vizinhos tão hostis.
Em 1945, as conferências de Yalta (1.º a 11 de fevereiro) e Potsdam (17 de julho a 2 de agosto) trataram de questões da organização do pós-guerra. Nesse momento já fica evidente a divisão do mundo em duas grandes áreas de influência, uma capitalista-americana e outra socialista-soviética.
A Alemanha, grande perdedora da II Guerra Mundial, foi dividida em quatro zonas de ocupação entre os vencedores: EUA, Inglaterra, França e URSS. O aumento da tensão político-ideológica entre os EUA e a URSS levou à criação de duas Alemanhas: a República Federal Alemã, na zona de ocupação britânico-franco-norte-americana, e a República Democrática Alemã, na zona de ocupação soviética. A capital, Berlim, que estava situada em território da República Democrática Alemã, também teve que ser dividida em Berlim Ocidental, integrada à República Federal Alemã, e Berlim Oriental, sob controle da República Democrática Alemã.
Até o ano de 1961, os cidadãos berlinenses podiam passar livremente entre os lados Ocidental e Oriental de Berlim. Mas com o acirramento da Guerra Fria, a RDA via sua existência ameaçada. Mais de dois milhões de cidadãos já haviam fugido do lado Oriental desde sua criação em busca de melhores condições de vida do lado Ocidental. A solução encontrada para impedir que as fugas continuassem e para garantir a continuidade da República Democrática Alemã foi a construção do Muro de Berlim.
Este muro simbolizou a concretização da divisão do mundo em dois blocos, se transformando na mais sólida herança da Guerra Fria. Nesse momento, o mundo, mais que a Alemanha ou do que a cidade de Berlim, estava dividido em dois blocos, cada um procurando infiltrar-se para subverter o outro, enquanto as guerrilhas na periferia (Coréia, Vietnã, Cuba, Nicarágua e países da África) se proliferavam.
Ele nasceu de modo repentino, da noite pro dia, literalmente. Em um dia os alemães podiam ir e vir, ver seus amigos e parentes que viviam na parte ocidental, mas no dia seguinte perdiam essa liberdade. Em 13 de agosto de 1961 os berlinenses não puderam aproveitar o domingo do lado de lá, pois o lado de lá estava do outro lado do muro. E a presença dessa construção repentina não pôde ser ignorada, mesmo que não pudesse ser compreendida. O corte já estava feito e a ferida já atingira a todos.
Com seus 167 quilômetros de comprimento, ele circundava e isolava hermeticamente Berlim Oriental, separando praças, ruas e até casas pelo meio. Atrás da primeira barreira estendia-se uma faixa, em alguns pontos com duzentos metros de largura, cheia de arames farpados, minas anti-homem, cães ferozes, bunkers e acesso para as patrulhas da polícia. Além dela erguia-se outro muro que dava para Berlim Ocidental. A cada duzentos metros, uma guarita revestida por falsos espelhos se destacava em cima de uma armadura de aço, e dentro dela, os grenzpolizisten, polícia de fronteira da RDA, que atirava sistematicamente sobre quem quer que tentasse passar para o lado Ocidental. Desde o dia da sua construção, mais de 1.000[1] pessoas morreram dessa maneira. A última, a apenas nove meses da abertura. O Muro nem era tão alto, tinha pouco mais de 4 metros de altura, mas, como diria uma pichação anônima, “O muro chinês é mais largo e alto, mas não tão perturbador”. À noite, tudo ficava iluminado, a visão do Muro com seus arames farpados, certamente trazia à lembrança os campos de concentração.
Por tudo isso, o dia 9 de novembro de 1989 não foi apenas uma segunda-feira fria em Berlim, mas o início do fim de 28 longos anos de separação. 28 anos do fim da convivência com aquilo que não era apenas uma horrível construção em concreto reforçado, mas também um testemunho cotidiano da violência à liberdade, tão feroz a ponto de parecer absurdo. Naquela noite fria, Günter Schabowski, ministro da propaganda da RDA, anuncia a liberdade de ir e vir para os cidadãos. É a queda do Muro de Berlim.
Talvez sua queda tenha permitido a retomada, mas talvez não a superação, do trauma de sua construção. As gerações que a vivenciaram ainda estão vivas. E foram as crianças de 1961 que fizeram coro nas passeatas em Leipzig, subiram em cima do Muro na frente da porta de Brademburgo e martelaram as estruturas para derrubar o símbolo da falta de liberdade.
O Muro caiu porque já não tinha forças pra permanecer em pé. Estava “podre” por dentro, pelo colapso de uma ineficiência econômica, que perdia cada vez mais a concorrência com sua rival Ocidental. O contraste entre as duas Alemanhas era gigantesco. Enquanto o lado Ocidental progredia econômica e tecnologicamente, a parte Oriental parecia, até visualmente, viver no passado, como se tivesse parado no tempo, vivendo como há quarenta anos. Nem mesmo a Glasnost e a Perestroika iniciadas em 1985 por Mikhail Gorbatchev foram suficientes para manter os alicerces do Muro.
No dia 10 de novembro, Berlim acordou ainda em estado de choque. Os cidadãos, tanto Orientais como Ocidentais não sabiam se tudo aquilo tinha sido um sonho. Era preciso ligar a televisão e acompanhar os telejornais, sair à rua, ir até o Muro.
“Todos viram a liberdade dançar sobre o Muro, mas a incredulidade, a desconfiança, o medo de que possa ser apenas uma fascinante ilusão fazem com que os berlinenses do Leste trepidem; como que em busca de uma confirmação eles saem às ruas rumando aos milhares para os postos de fronteira. Então é mesmo verdade! O Muro caiu, revirando a História e o coração da Europa. As duas Alemanhas podem se tocar. Na noite passada terminou o pós-guerra”. (Lilli, 1990, p.131)
Era o momento de reencontrar a família e os amigos. Quantos berlinenses não podiam fazer coisas simples, como visitar a mãe ou o irmão, ou ir à festa de aniversário do melhor amigo? Agora, nesse “fim de ano antecipado”, como estampavam as manchetes dos jornais da época, eles enfim poderiam dar o abraço há tempos esperado.
A imagem mais famosa desse evento não aconteceu no dia 9 de novembro, mas alguns dias depois. É a imagem de milhares de pessoas, em cima e dos lados do Muro, estourando champagnes, na tal festa de ano novo antecipado. O Muro virou pedaços, fragmentos, produto de exportação que era (e ainda é) vendido como souvenir, como amuleto, como recordação do fim de uma era. A história foi dividida em milhares de pequenos pedaços, tão pequenos, que os olhos só conseguem ver as cores dos ex-protestos dos Ocidentais em forma de grafite. Já não há um reconhecimento visual do muro, mas um reconhecimento simbólico.
No início era preciso um visto para atravessar o Muro, enquanto ele ainda não tinha sido literalmente derrubado. Mas os berlinenses ficavam horas nas filas, pacientemente, para receber o carimbo que significava muito mais do que tinta num papel, mas um “atestado de liberdade”. Das dezenas de milhares de berlinenses Orientais que passaram sua primeira noite no lado Ocidental, apenas 2500 não voltaram. A maioria acreditava na reunificação, sonhando com uma única Alemanha e um único povo alemão. Havia o problema do câmbio. Oriente e Ocidente tinham moedas diferentes. Do lado Ocidental, os Orientais recebiam uma espécie de “boas vindas”, o Begruessungsgeld, o que equivaleria a pouco mais de R$120,00 atuais. Do lado Ocidental esse dinheiro era facilmente gasto em um jantar num restaurante bacana, mas, para os cidadãos Orientais, era uma boa quantia, o equivalente a quase um salário mensal para alguns.
“Há uma fila de meio quilômetro diante da filial da Dresdner Bank. (...) Experimentamos perguntar a alguém da fila se não se sentem humilhados por ficar uma hora na fila para receber a esmola da rica Alemanha Federal; olham para nós como se fossemos extraterrestres, ou então nos respondem simplesmente que estão acostumados a fazer a fila todos os dias, no lado Oriental, só que muitas vezes sem encontrar aquilo de que têm necessidade”. (Lilli, 1990, p.140)
O choque cultural da abertura do Muro foi imenso. A maioria dos jovens nunca tinha visto tamanhas variedades de coisas simples, como chocolates e biscoitos, por exemplo. As lojas do lado Ocidental foram invadidas e prateleiras inteiras foram esvaziadas em segundos, sobretudo as de artigos eletrônicos simples, mas absolutamente novos para os Orientais, como os walkmans. O cinema também foi algo que chamou a atenção. A variedade de títulos, sobretudo os blockbusters americanos, os deixou encantados. Outra coisa que eles também não tinham acesso do lado Oriental era a pornografia. Anos de moralismo do Estado sufocaram, mas não apagaram as curiosidades mais inconfessáveis. Era comum ver nas filas dos cinemas eróticos homens e casais cheios de curiosidades. Claro que a maioria dos produtos da Alemanha Ocidental tinha um preço proibitivo aos Orientais, mas nem por isso eles reclamavam. Estar ali e poder ver tudo aquilo já era grande coisa para quem, até bem pouco tempo, nem sonhava com isso.
O próximo passo seria a reunificação das Alemanhas, o que viria a acontecer somente em 1990. Antes da unificação efetiva, aconteceu uma unificação monetária e econômica. Em 1.º de julho de 1990, o Bundesbank assumiu o controle da política monetária alemã-oriental, tornando o marco ocidental a moeda corrente do país. Esse passo foi muito importante para a unificação política, que aconteceu em 3 de outubro do mesmo ano. Em 2 de dezembro, os eleitores de todos os Estados da República Federal e da ex-República Democrática foram juntos às urnas pela primeira vez, desde a última eleição democrática que aconteceu às vésperas do nazismo. Helmut Kohl foi reeleito primeiro-ministro da enfim unificada Alemanha.
Essa reunificação resolveu alguns problemas, mas criou outros: o impacto da modernização Ocidental sobre as sucateadas indústrias Orientais gerou desemprego. A República Federal da Alemanha, para acelerar o processo de reabsorvição dos desempregados, investiu maciçamente do lado Oriental, deixando o lado Ocidental sem a mesma atenção, o que gerou também ali o desemprego.
“Nesses 15 anos, o governo federal transferiu bilhões de euros ao leste, sob um "pacto solidário", que expira em 2020. (...) Várias cidades pobres e mal estruturadas da antiga Alemanha Oriental foram reformadas, e a região tem atraído vários investimentos. Ainda assim, a falta de empregos tem levado vários jovens a abandonar o lado leste da cidade.
Um dos maiores indicadores que mostram os desafios do governo alemão na integração das duas regiões é a taxa de desemprego: enquanto que, em nível nacional, há 11,2% de desempregados, na parte oriental esse número chega a 17,6%. (...) Mesmo após 15 anos, orientais e ocidentais ainda têm posturas políticas bastante diferentes. O Partido de Esquerda teve uma percentagem mais alta de votos no leste que no oeste, durante as eleições ocorridas em 18 de setembro último.”
(Folha de São Paulo, 03 de outubro de 2005)

A reunificação alemã é um dos maiores fenômenos do século XX, do ponto de vista político. Mas essa unificação sem conflitos, apesar de trazer inúmeros benefícios à população, sobretudo no que diz respeito ao direito de ir e vir, causou inúmeros prejuízos à economia. A Alemanha ainda paga o custo dessa reunificação, que não foi tão simples como se imaginava na época, mas que, ainda assim, foi um grande sucesso. Mesmo com todos esses problemas, Berlim é uma das mais importantes cidades da Europa e a Alemanha é um dos maiores investidores do Leste Europeu.
Claro que ainda hoje, quase 20 anos depois da queda do Muro, ainda há pessoas que não incorporaram o princípio da produtividade, da tecnologia e de todos os fatores que fazem da Alemanha um país tão avançado. Ainda há um fosso econômico que separa os dois lados. O rendimento econômico per capita no Leste é apenas 70% do nível Ocidental, o que faz com que, a cada ano o Estado transfira cerca de 30 bilhões de euros do Oeste para o Leste. O governo alemão acredita que ainda serão necessários, no mínimo, dez anos até a região conseguir se manter sem as injeções financeiras do Estado. Ainda serão necessários dez anos para existir novamente uma única Alemanha.
O Muro de concreto, ferro e arame farpado caiu, mas ainda existe não só na memória daqueles que sentiram na pele suas conseqüências, não só no roteiro turístico daqueles que visitam Berlim ou nos livros de História. Ele ainda existe, metaforicamente, separando Leste e Oeste. Quem sabe em 9 de novembro de 2019, na festa dos trinta anos da “queda”, os alemães realmente possam brindar e dançar numa Alemanha verdadeiramente unida, sem diferenças entre Leste e Oeste.
[1] Não há consenso sobre esse número. O certo é que até hoje não se sabe ao certo o número de vítimas.

BIBLIOGRAFIA

BANCHER, Flávia. A queda do Muro de Berlim e a presentificação da História. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
CHACON, Vamireh. A questão alemã. São Paulo: Scipione, 1994.
FERREIRA, Edson Alberto Carvalho. Nova ordem mundial. São Paulo: Núcleo, 1997.
________________________. O mundo contemporâneo. Núcleo, 1993.
GRUBER, Lilli. O Muro de Berlim: Alemanha pátria unida. [Tradução Pier Luigi Cabra]. – São Paulo: Maltese, 1990.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. [Tradução Marcos Santarrita]. – São Paulo: Companhia das Letras, 1993.


DICA DE FILME


Adeus Lênin



Título Original: Good Bye, Lenin!

Ano de Lançamento (Alemanha): 2003


Estúdio: arte / Westdreutscher Rundfunk / X-Filme Creative Pool

Distribuição: Sony Pictures Classics

Direção: Wolfganger Becker

Roteiro: Wolfganger Becker e Bernd Lichtenberg

Produção: Stefan Arndt