quarta-feira, maio 06, 2015

Renascimento Nórdico

O movimento que ficou conhecido como Renascimento não aconteceu exclusivamente na Itália, mas se espalhou por outras partes da Europa como a Alemanha, Inglaterra e os Países Baixos.
Só que a cultura clássica, base primeira do Renascimento, não foi relevante para os artistas nórdicos. Eles tinham outra mitologia, outros padrões arquitetônicos, outros hábitos e outra cultura. Evidentemente a arte seria diferente.
Os pensamentos humanistas do Sul chegaram até eles e podemos dizer que acabaram sendo ainda mais humanistas que os renascentistas italianos.

O Renascimento Nórdico foi influenciado sobretudo pelo pensamento humanista e pela reforma protestante. Por essa razão encontramos muitas obras realistas e que valorizam o ser humano (mostrando, por exemplo, cenas cotidianas). Os temas religiosos e mitológicos (principais temas do Renascimento Italiano) quase não aparecem.

Os artistas tinham interesse pela representação da imagem humana e por representar o mundo visível de forma realista (sem a idealização tão comum nas obras italianas).

SEMELHANÇAS COM O RENASCIMENTO


  • Humanismo;
  • Uso da técnica da perspectiva nas pinturas (porém nem sempre com o ponto de fuga centralizado);
  • Uso da mimesis (sem idealização).
As obras dos artistas nórdicos possuem muitos detalhes (miniaturismo) e muitas informações.

PRINCIPAIS ARTISTAS

Jan Van Eyck (1390 - 1441)

Principal obra: "Bodas de Arnolfini" (ou "O casal Arnolfini"), 1434



Repare nos detalhes da obra!


O artista escreveu "Jan Van Eyck esteve aqui, 1434". Foi a primeira vez que um artista assinou seu nome em um quadro.

Repare nos detalhes do espelho no fundo do quarto:



Note que além de todos os detalhes do espelho, o artista também coloca detalhes na moldura. São imagens da Via Sacra (Paixão de Cristo).


Note que o artista coloca laranjas no quarto! Pode parecer algo simples, mas não é! Laranjas eram frutas muito raras na Holanda naquela época e, portanto, caríssimas.  Colocá-las na tela, mostra que o casal era muito rico!


Você tinha reparado nas sandálias da mulher no fundo do quarto? Note que mesmo estando no fundo ela possui muitos detalhes. Também conseguimos perceber as diferentes texturas: a madeira do piso, o tapete e os tecidos das roupas do casal.

As sandálias do marido são as que estão mais a frente da composição:


A mulher não está grávida! Esse é um retrato nupcial, ou seja, eles acabaram de casar! Pela cultura da época isso seria inadmissível. O ventre volumoso indica que ela QUER engravidar. Outros símbolos de fertilidade no quadro são: o verde no vestido da mulher, o vermelho da cama e a imagem de Santa Margarete (para quem as mulheres rezam quando querem engravidar) na cabeceira da cama:


A luminária do quarto tem apenas uma vela acesa. Segundo a semiótica ela simboliza o "olho de Deus que tudo  vê", como se Deus estivesse ali abençoando a união do casal.



Só para deixar ainda mais impressionante, lembre-se que o quadro original (que está na National Galery de Londres) é relativamente pequeno (82 x 60 cm).

Observar esse quadro com cuidado é uma experiência sensacional (por conta de todos os detalhes!)

Hieronymus Bosch (1450 - 1516)

Uma de suas principais obras é o Tríptico "O jardim das delícias".

Nesse link tem um post falando sobre essa obra!


Albrecht Dürer (1471 - 1528)

O alemão Dürer foi um importante gravurista.
É interessante lembrar que nessa época surge a imprensa e as ilustrações também passam a ser feitas por impressões.

A grande paixão, 1498

Os quatro cavaleiros do apocalipse, 1498


Hans Holbein (1497 - 1543)

Principal obra: "Os embaixadores", 1533


Esse retrato também tem muitas informações e detalhes (como o Casal Arnolfini, de Van Eyck).
Holbein também é preciosista na representação das texturas e materiais.

Veja alguns detalhes:



Você conseguiu ver que há um anel na frente da bússola?



Dá pra ver que é um livro de matemática!


E é possível ler a partitura!


Outra coisa que chama a atenção é o globo terrestre. Se você olhar atentamente é possível encontrar "Brasilis". Achou? Perdoe os erros de geografia! Lembre-se que a obra é do século XVI!!!


E também há um globo celeste que mostra as constelações.


Mas é claro que o que mais chama a atenção nessa obra é o crânio em perspectiva anamórfica na frente da composição. Você tinha reparado nisso?



Para conseguir ver o crânio no quadro original é necessário se posicionar do lado direito, de modo perpendicular:



Alguns interpretam o crânio como um símbolo humanista, outros como uma ameaça ao rei Henrique VIII (com quem o artista tinha uma certa birra). O fato é que o artista mostra o quanto domina a técnica da perspectiva!

Pieter Bruegel (1525 - 1569)

Suas obras se aproximam da ideia de realismo (mesmo este movimento artístico ainda não existindo). Mostra cenas cotidianas, camponeses, brincadeiras infantis... Suas obras são muito detalhadas e cheias de informações. Por exemplo:

Jogos infantis, 1560

Caçadores na neve, 1565

Casamento camponês, c. 1569


segunda-feira, abril 20, 2015

Renascimento

O Renascimento marca a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. O termo está relacionado ao ressurgimento dos valores e interesses intelectuais e artísticos da Antiguidade Clássica Greco-romana.
Com isso, valores mais humanistas começam a mudar não só a arte, mas o mundo.
É importante salientar que, apesar desse valor humanista, o Renascimento ainda está bastante ligado à Igreja Católica, tanto que podemos ver muitas obras com temas bíblicos na arte da Renascença.
Além desses temas cristãos, a mitologia grega (revisitada pelos romanos) também passa a ser explorada como tema pelos artistas renascentistas.
O Renascimento se deu principalmente na Itália, sendo a cidade de Florença o principal polo cultural da época.

As principais características do Renascimento são:

  • Humanismo - pensamento que valoriza o homem e seus feitos (e não apenas Deus, como o pensamento medieval).
  • Racionalidade - os artistas queriam entender como as coisas funcionavam (podemos incluir a natureza e o corpo humano). Pesquisas da ciência e da matemática podem ser vistas nas obras renascentistas, como por exemplo a "perspectiva linear".
"A perspectiva linear é uma técnica na qual o artista pode criar a impressão de profundidade tridimensional numa superfície plana. como ciência, a perspectiva está relacionada à ótica )o estudo da visão e do olho humano), mas como sistema pictórico ela só foi completamente desenvolvida no começo do século XV, em meio à atmosfera intelectual e artística única da Renascença florentina. Pela primeira vez na história da pintura havia um sistema matemático para calcular como dimensionar proporcionalmente o tamanho dos personagens e elementos em relação à distância." (in. Farthing, Stephen. Tudo sobre a arte)
  • Equilíbrio - podemos relacionar essa característica ao gosto pela simetria e pelas composições equilibradas (com ponto de fuga* central no caso de pinturas e esculturas bastante serenas e com movimentos contidos). O equilíbrio também se relaciona ao pensamento racional, já que uma pessoa mais racional é mais equilibrada em suas decisões e expressões faciais e corporais, por exemplo.
  • Mimesis - imitação da natureza à partir de sua observação.
  •  Idealização - os renascentistas buscavam um ideal de beleza em suas obras e para tanto procuravam melhorar certas características da natureza observada (mais ou menos o que a sociedade atual faz ao utilizar o "photoshop" nas imagens digitalizadas).
Para os renascentistas o BELO era perfeito e bom, mas o perfeito só existe no mundo das ideias - por isso a idealização.
Para atingir o BELO buscavam o equilíbrio da simetria, que para eles era algo perfeito.


O Renascimento Italiano pode ser dividido em duas partes (ou períodos):
- Quattrocento (século XV)
- Cinquecento (século XVI), que também ficou conhecido como "Alta Renascença".

No quattrocento podemos destacar os trabalhos de pintura de Sandro Botticelli, as esculturas de Donatello e a arquitetura de Brunelleschi.

"Alegoria da Primavera", c. 1480 (Galeria Uffizi, Florença)
Sandro Botticelli


"Nascimento de Vênus", c. 1485 (Galeria Uffizi, Florença)
Sandro Botticelli


"Davi", c. 1409 (Museu Nacional de Bargello, Florença)
Donatello


"Davi", c. 1440 (Museu Nacional de Bargello, Florença)
Donatello


Cúpula da catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença (1434) -  Filippo Brunelleschi
Essa foi a primeira cúpula de grandes dimensões erguida na tália desde a antiguidade clássica.



No Cinquecento estão os artistas mais famosos do Renascimento: Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael Sanzio.
O pensamento humanista ganha força nessa época. Essa visão é exemplificada pelos desenhos e estudos de Leonardo da Vinci sobre a anatomia humana.
Dentre seus estudos, o mais famoso (e o que mais ilustra esse pensamento antropocêntrico) é o "Homem Vetruviano", c. 1492 (Galeria da Academia, Florença).


Florença continuava a ser uma cidade importante, porém, na Alta Renascença, Roma passa a ser o centro artístico mais importante. A "Cidade Eterna" tinha a sede do papado (Vaticano) e o legado clássico romano e por isso a maioria dos grandes artistas estava lá.

O principal mecenas do Renascimento Italiano nessa época foram os Papas. Desde o papa Sisto IV (que ordenou a construção da Capela Sistina), muitos papas contrataram artistas renascentistas para decorar a Basílica de São Pedro, salas e capelas do Vaticano e suas próprias tumbas (como o papa Julio II que encomendou a famosa escultura de Moises, de Michelangelo).

Leonardo da Vinci certamente foi o mais famoso artista de todo o movimento.

"Talvez nenhum outro artista na história da arte ocidental tenha encarnado como Leonardo da Vinci o conceito de gênio. Entre a Florença dos Médici e a Milão dos Sforza, esse homem excepcional une os campos da arte e da ciência e amplia - a limites desconhecidos até então - os horizontes do conhecimento e da beleza, produzindo algumas das obras pictóricas mais importantes de todos os tempos.
A vida de Leonardo transcorre num momento histórico em que o poder das ideias busca mudar os rumos do mundo e transitar da religiosidade da Idade Média para a racionalidade do Renascimento."
(Leonardo da Vinci, Coleção Folha - Grandes Mestres da Pintura)

Leonardo não tem muitas pinturas acabadas (e algumas outras não temos certeza se são dele ou não), ainda assim, nas poucas obras que deixou, cativou a humanidade.
Uma de suas principais marcas visuais é o "sfumato": transição suave e quase imperceptível entre as áreas de cor na pintura. Suas obras parecem não ter contornos definidos por causa dessa técnica.

Suas principais obras são:
"Virgem dos Rochedos", 1483-1486 (Museu do Louvre, Paris)


"A última ceia", 1495-1497 (Convento de Santa Maria dele Grazie, Milão)



"Mona Lisa" (Gioconda), 1503-1506 (Museu do Louvre, Paris)


Rafael Sanzio também foi um importante pintor do Renascimento Italiano. Foi um dos principais artistas do Vaticano, responsável pela decoração das capelas da Basílica de São Pedro.
Uma de suas obras mais conhecidas está no Palácio Apostólico do Vaticano:
"A Escola de Atenas", 1510-1511


"Em Escola de Atenas filósofos, matemáticos, astrônomos e cientistas da Antiguidade conversam sob uma imponente basílica, aparentemente baseada nos antigos projetos de Bramante para a nova Igreja de São Pedro (que, por sua vez, foram inspirados nas ruínas da Basílica de Maxêncio, no Fórum Romano). No centro da imagem estão Platão e Aristóteles, claramente identificados pelos títulos de seus livros: Platão aponta para cima, para o mundo das ideias, enquanto Aristóteles estende a mão aberta entre o céu e a terra. Leonardo da Vinci, com uma longa barba branca serviu de modelo para Platão, ao passo que Michelangelo, sentado num degrau em primeiro plano, com seu braço apoiado num bloco de mármore, representa o matemático Heráclito. No canto, à direita, próprio Rafael, olhando para fora da pintura." (in. Farthing, Stephen. Tudo sobre a arte)

Rafael ficou conhecido como o pintor das "Madonas", pois o tema que mais trabalhou ao longo de sua carreira foi a representação da virgem Maria com o menino Jesus no colo.

Exemplo: Madonna Tempi, c. 1508 (Alta Pinacoteca, Mônaco de Baviera)


Michelangelo foi o maior escultor do Renascimento (apesar de também ter sido um grande arquiteto e pintor).
Entre suas principais esculturas estão:

"Pietá", 1497-1500 (Basílica de São Pedro, Vaticano)



"Davi", 1501-1504 (Galleria dell'Accademia, Florença) - Há uma réplica em tamanho menor da praça de Signoria, também em Florença.



"Moisés", 1513-1516 (túmulo do papa Júlio II, Roma)


Sua pintura mais famosa na verdade é um grupo de pinturas localizadas na Capela Sistina (1508-1512: teto; 1537-1541: painel do Juízo Final)

Teto da Capela Sistina:

Juízo Final:


Dentre todos os painéis da Capela Sistina, sem dúvidas, o mais conhecido é "A criação de Adão".
Muitos comentam que Michelangelo teria colocado a figura de Deus dentro de uma estrutura que lembra o cérebro humano. Seria um questionamento humanista sobre a criação? (Deus cria o homem ou o homem, em sua mente, cria Deus?)


A obra arquitetônica mais famosa de Michelangelo é a cúpula da basílica de São Pedro, no Vaticano.


Visão interna:

sábado, fevereiro 28, 2015

Revivendo o Blog

Nossa... há tempos não escrevo no "pros alunos"!
Resolvi trazê-lo de volta para dar uma ajudinha aos meus alunos do primeiro ano e também para todas as pessoas que se interessam por arte de um modo geral.

Transformei os slides da professora Maria em duas postagens. Acho que isso já vai ajudar muito!!!!!

História da História da Arte

Street Art

Abraço a todos!